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quinta-feira, 21 de agosto de 2014

O IMPOSSÍVEL NÃO EXISTE


O impossível existe para o homem, porque o homem é limitado.
O impossível existe para o homem, porque o homem confia pouco em Deus.
O impossível existe para o homem, porque o homem não entrega completamente seus problemas a Deus.
O impossível existe para o homem, porque o homem foi contaminado com a enfermidade do pessimismo.
O impossível existe para o homem, porque o homem não consegue ver depois da curva ou do outro lado da montanha ou abaixo da superfície das águas.
O impossível existe para o homem, porque o homem não lê a Bíblia.
O impossível existe para o homem, porque o homem apaga suas próprias lembranças.
O impossível existe para o homem, porque o homem ora muito pouco.
O impossível existe para o homem, porque o homem está submetido às leis da natureza.
Para o homem, o impossível existe; para
Deus, não.
O impossível não existe para Deus, porque Deus não está submetido às leis que ele criou e sobre as quais é soberano.
O impossível não existe para Deus, porque Deus não muda, mas ele mudas as coisas.
O impossível não existe para Deus, porque Deus vê todas as coisas, estejam no presente ou no futuro.
O impossível não existe para Deus, porque Deus sempre aposta no ser humano.
O impossível não existe para Deus, porque Deus tem todo o poder possível.
O impossível não existe para Deus, porque Deus ama de modo absoluto.
Para o homem, o impossível existe; para Deus, não.
Apesar disto, acontece-nos também termos medo de pedir algo a Deus por parecer difícil demais?
Embora Ele já tenha feito o impossível em nosso favor, facilmente nos esquecemos e ficamos paralisados diante destas coisas impossíveis. Quando Deus está conosco, todas as coisas são possíveis, se concordarem com o propósito do Senhor da história.

Israel Belo de Azevedo

terça-feira, 22 de abril de 2014

ELOÍ, ELOÍ...



Desde que saíra de Magdala e conhecera a Jesus, Maria nunca mais o abandonou. Tinha seus motivos.
Quando Jesus chegou a sua cidade, de barco, pelo lago de Kinereth, Maria foi ouvi-lo. Primeiro ele falou ainda dentro do barco; depois, desceu, os discípulos com ele, e começou a conversar com as pessoas. Ela não conseguia se aproximar. Não tinha amigos para facilitar o acesso a ele, sempre cercado.
Mesmo de longe, entendeu que precisava dele. Na sinagoga, não conseguiram resolver o seu problema. 
Sua família não sabia lidar com o seu problema e a expulsou de casa. Seu pai tinha morrido quando ela estava com oito anos. Ficou com a mãe e os seis irmãos, dois rapazes, três meninas e ela, a do meio. Quando o seu pai morreu, ela afundou na tristeza. Não tinha fome. Emagreceu muito. Não saía de casa, num quarto que ninguém entrava. Seus irmãos tinham vergonha dela.
Quando fez 16 anos, seu irmão mais velho disse para ela ir embora.
-- Para onde eu vou, Jacó?
-- Você é amaldiçoada e amaldiçoa a nossa casa.
Ela procurou ajuda na mãe, que apenas chorava.
No dia seguinte, tornou-se andarilha. Como tinha medo, ia de Magdala para Tiberíades, de Tiberíades para Magdala. Ia devagar. Demorava um dia para percorrer os 5 kilômetros. Uma vez, percorreu o caminho das pombas para Nazaré, mas voltou no meio, com medo de ir para longe do lago.
Comia quando lhe davam comida. Sua mãe sempre mandava um embrulho para ela, escondida dos irmãos. Continuava muito magra, magra e encurvada, quase sempre suja.
Ficou dois anos nessa vida.
Quando Jesus desceu em Magdala, Maria estava lá.
Ela estava bem, mas começou a gritar desordenadamente. Seus uivos abriram caminho para Jesus. Ele logo notou.
Então, perdeu a razão. Quando ela caiu, convulsionando, Jesus se aproximou.
Uma mulher tentou impedir o encontro:
-- É Maria, uma mulher miserável, mestre. Não dê importância. Ela é tão ruim que a sua família a expulsou.
Jesus se aproximou. Ela se batia por todos os lados. Ela batia a cabeça no chão. O sangue começou a minar dos seus cabelos, longos, desarrumados.
Jesus olhou para ela. Pegou-a pela mão e fez com que se sentasse no chão.
-- Como você está se sentindo.
Ela cuspiu no rosto de Jesus, que gritou, pondo suavemente a cabeça dela no chão e se levantando.
-- Sai dela, espírito imundo. É uma ordem.
O corpo tremeu, mas os olhos continuavam fechados.
-- Sai dela, espírito imundo. Eu ordenando.
O corpo tremeu de novo, mas os olhos ainda estavam cerrados.
Por mais cinco vezes, Jesus deu a mesma ordem. 
Então, ela abriu os olhos.
Trouxeram pão e um suco de romã. Ela se levantou. Jesus já tinha ido. Ela se levantou e o seguiu.
Perdeu, quando ele entrou no barco e foi embora.
Ela foi pela estrada e chegou a Cafarnaum. Foi à sua casa. Ele não estava. Falou com Maria. Contou sua história. Maria chorou. Ficaram amigas as duas Marias.
A sogra de Pedro, saúde fraca, a recebeu em casa. Ela ajudava no que podia. Enquanto preparava os pães, cantava. Gostava do salmo 22, porque era também sua história: "Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?". Gostava também do salmo 46, mas não conhecia Jerusalém. Muitas vezes Pedro levava os seus pães quando saía com Jesus.
Um dia ele chegou em casa e disse que iria para Jerusalém com Jesus. Iam todos os que podiam andar. Viagem longa. Seriam vários dias para completarem os 160 quilômetros, mas Jesus estava decidido. Tinha que ir.
Maria Madalena foi também. Fazia pão como ninguém. Cantava como ninguém. Ficou hospedada na casa de Suzana, perto do tanque de Betesda. Quando podia, seguia a Jesus, sempre de longe, como convinha a uma mulher.
Ela nunca abandonou Jesus. Quando os sete espíritos a visitavam de vez em quando, a sua família a abandonou de vez. Então, Jesus a encontrou. Ela não iria abandoná-la. Ele podia precisar dela.
Quando a Páscoa começou a chegar e, junto, os milhares de peregrinos, Maria Madalena começou a sentir uma grande tristeza. Sentia que algo ruim estava para acontecer.
Quando Jesus saiu de Betânia para Jerusalém pela última vez, Maria Madalena foi falar com Suzana:
-- Não sei o que vai acontecer, mas meu coração anda apertado.
Suzana, que conheceu Jesus num jantar na casa de Joana de Cuza, tentou confortá-la, mas também estava com medo.
-- Eu não posso abandoná-lo.
-- Eu também -- disse Suzana. Sempre tivemos dinheiro. Na minha casa, nunca faltou nada. Eu me casei. Nunca faltou nada. Eu só não tinha filhos. Agora tenho, depois que Jesus me abençoou. Também não vou abandoná-lo, mas estou preocupada. Nunca vi tanta gente assim na cidade. O sinédrio tem reunião todo dia. Meu marido não sai de lá. Ele não fala nada porque sabe que sou uma discípula.
Todos os dias as duas conversavam, cada uma falando do que Jesus fizeram em suas vidas.
Então, chegou a sexta-feira. As duas acordaram cedo e uma empregada disse que um amigo dela que era guarda de José Caifás lhe disse que no dia anterior Judas entregara Jesus ao pessoal do templo.
-- Dizem que foi com um beijo.
As duas saíram de casa. Quando chegaram ao monte das Oliveiras, Jesus já estava crucificado. De longe, choraram muito. Choraram e se consolaram.
Mãos dados, foram subindo o monte do Crânio. Maria, a mãe chorava. Os discípulos choravam. As mulheres choravam.
Chegando mais perto, elas conseguiram ver o maravilhoso homem que as livrara de suas angústias.
Tiveram tempo de ouvir sua voz suave, fraca como uma luz que se apaga, orar ao Pai:
-- Eloí, Eloí, lamá sabactâni.
As suas se entreolharam, como se dissessem:
-- Nós não vamos abandoná-lo.

ISRAEL BELO DE AZEVEDO

ESTOU COM SEDE

Maria estava ali, diante da cruz, antes de Jesus.
Quando soube que fora condenado, mandou recado para as amigas, que foram chegando. Maria Madalena e Suzana foram as primeiras. Depois vieram as outras.
Olhou para ele, carregando a barra superior até o topo, desde a rua, e chorou.
-- Não chore, Maria. Deus ainda vai fazer alguma coisa. Nada disto vai acontecer.
-- Como não vou chorar, Joana, é o meu filho que vai morrer. Eu sei que ele vai morrer.
Maria precisou se encostar um pouco na rocha para não cair. João a amparou.
Fechou os olhos para não ver as cenas da crucificação. Ouvia-se longe os pregos entrando na madeira, os gritos de dor com os cravos furando as mãos.
Foi rápido. Os romanos eram bons nisto.
Era preciso tampar os ouvidos para não escutar os sons da crueldade.
"Se ele é mesmo o filho de Deus, por que não desce?"
"Vou ficar com a túnica dele".
"Não, vamos fazer um sorteio para ver quem leva".
Maria teve vontade de dizer:
-- Vocês não estão vendo o sofrimento dele? Ainda se divertem!
Precisou se calar.
Quase sempre precisou se calar.
Quando o seu menino nasceu, os pastores vieram visitá-lo em Belém; eles falaram muito, mas Maria ficou calada.
Quando o seu menino ficou para trás, quando vieram a Jerusalém, há quase 20 anos, José o repreendeu. Maria sentia que as palavras do pastores de Belém começavam a fazer sentido. Por isto, ficou calada. Não podia falar.
Quando o seu menino pediu para ser batizado pelo primo, João, ela apoiou. Quando ele voltou, eufórico, de Betânia-além-do-Jordão, repetindo as palavras que ouviu do céu, ela não disse nada.
Quando transformou água em vinho, perto de casa, não estranhou a resposta dele.
Quando ele pediu para que mudassem para Cafarnaum, eles saíram todos de Nazaré, embora suas irmãs reclamassem.
Quando os irmãos do rapaz foram atrás dele por achar que estava com problemas mentais, ela foi e, sem palavras, conseguiu mostrar-lhes que o caminho dele era diferente.
Quando ele decidiu vir para Jerusalém, ela não argumentou, mesmo supondo que o fim estava próximo; ela não pediu que não viesse. Ele sabia o que estava sabendo.
Quando ele deixou Betânia perto da Páscoa, para vir a Jerusalém, ela não lhe pediu para ficar um pouco mais na casa de Marta e Maria.
Agora a dor do seu filho era intensa demais. Ela via a dor. Estava nos seus olhos que o sangue cobria, nos lábios ressecados pelo vento. Ele lhe contara um dia como foi difícil ficar 40 dias no deserto, sem comer e beber, mas agora não tem tinha anjo nenhum a confortá-lo.
Maria abria os olhos e fechava. Quando fechava, ela via o filho que ela amamentou. Via os anos no Egito, difíceis também. Agora era diferente. Naquele tempo, havia esperança, mas e agora? Voltar a Nazaré, começar a vida de novo, José buscando novos clientes, os filhos que foram chegando, José indo e vindo a Séforis em busca de trabalho, a doença de José, sua morte, o sofrimento de Isabel quando Zacarias morreu, Jesus fugindo de Nazaré, o sonho dele de um mundo de pessoas que se amassem, as semanas fora pregando pelas aldeias, os que vinham para saber mais, os discípulos que ele foi fazendo, as curas no sábado, as parábolas que criou, as madrugadas longe de casa em oração, a dor da sua prima quando também João foi assassinado daquela maneira tão espetacular em Maqueronte ("a vida não vale nada"), o modo como acolheu os discípulos do primo, os pães e os peixes em Tabgha, a mulher que ficou livre da sua hemorragia, a mulher que teve o filho de volta vivo em Naim, a menina perto de Sidon que ficou livre dos seus demônios, nosso amigo Lázaro, o medo que as pessoas tinham de César não gostar do que estava acontecendo na Galileia.
Maria se lembrava de duas vezes que teve falar com ele sobre o que fazia:
-- Filho, cuidado com Judas. Ele pega o dinheiro de vocês.
Ele ouviu, mas não disse nada.
-- Filho, evite as pessoas duvidosas. O que gente como Zaqueu e Simão o Leproso quer com você? Vão levar você a mal. Para que jantar com eles?
Ele sorriu, abraçou Maria e comentou brevemente, antes de sair:
-- Mãe, eles têm sede. Tem lugar para eles na mesa.
Agora, daqui a pouco tudo seria apenas memória. Maria abriu os olhos. Precisava ficar com os olhos abertos. Ele podia precisar dela. 
O barulho era forte. De repente, o céu começou a se encher de trovões. Medo. Silêncio.
Jesus estava dizendo algumas palavras.
Maria não ouviu bem.
-- O que ele disse, Salomé?
Acho que ele pediu água.
Então, quando repetiu, deu para ouvir:
-- Estou com sede.
Maria se agitou. Saiu de lado.
-- Quero falar com o centurião. -- Disse a um soldado.
-- A senhora não vai falar com o centurião. Fale comigo mesmo. Sou o tenente aqui.
-- Tenente, meu filho está com sede. Desde ontem à noite, quando o prenderam, que não deram água para ele. Você acha isto justo?
-- Minha senhora, se é justo eu não sei. Eu cumpro ordens. Se o centurião autorizar...
E saiu, antes de terminar a frase.


ISRAEL BELO DE AZEVEDO

segunda-feira, 4 de março de 2013

Preparando-se para as minhas Mui Grande Conquistas...



Texto: Neemias 1:1-5,6b,11  /  2:1-5,8b,11 - 12, 17-20

 A falta de preparo é a maior causa da não permanência da benção de Deus na vida de muitas pessoas, incluindo muitos de nós, pois a manutenção da benção, é tão especial quanto a sua aquisição.​
Podemos destacar como exemplos:
- a aquisição de um carro - precisa de ter manutenção
- Início de um relacionamento - precisa de ter entrega mutua
- compra de uma casa - cuidar da casa para ela valorizar
- Contratação para um novo emprego - esforço para se destacar​
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NÃO PODEMOS CONTUDO MENOSPREZAR ALGUNS REQUISITOS ESSENCIAIS PARA O PREPARO ESPIRITUAL.​
​​
1) TEMPO
Tem que ter disponibilização de tempo para Deus.​
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Muitos comem em pé, leem no ônibus, oram deitados, e até mesmo mulheres que tem a destreza de fazerem várias coisas ao mesmo tempo,
cozinhar, lavar, passar, colocar o filho no banho, falar no telefone, assistir a novela e prestar atenção no marido, para ver se ele não está fazendo algo de errado.
tudo na intenção de ganharem tempo, pois parece que sempre andamos atrás da situação, sempre corremos atrás do prejuízo como diz o ditado.​
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2) ENTREGA ​
Para existir entrega necessitamos de comprometimento e responsabilidade para com as coisas de Deus, por isso ele nos diz em sua palavra, "Entrega o seu caminho ao Senhor confia nele e o demais ele fará".​

3) RESPONSABILIDADE COM O CHAMADO​
A palavra nos diz a cerca dos muitos chamados, e o diferencial está acentuado na responsabilidade para com o chamado, para que possamos desfrutar de uma escolha divina.​
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4) DISCERNIMENTO ESPIRITUAL PARA SABER A HORA CERTA E O MOMENTO CORRETO PARA SE PRONUNCIAR.​
A bíblia nos ensina que há um tempo determinado para todas as coisas e
tem muita gente metendo os pés pelas mãos, e querendo colocar a responsabilidade em Deus.
Se eu pudesse voltar o tempo atrás haveria muitas coisas que eu faria diferente, mas o tempo não volta, então Deus esta me permitindo melhorar meu futuro, me preparando para receber minhas grande conquistas.
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5) SER CATIVANTE
Esta é uma característica que todo Cristão deveria ter, mas nem sempre é assim.
Ser cativante é deixar ser usado por Deus, para ser um canal ABENÇOADOR para todos quanto possível.​
NEEMIAS estava incumbido para um trabalho que muitos não queriam fazer ou executar, mas ele foi convincente em sua missão.
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PERTO ESTÁ O SENHOR DE QUEM TEM O CORAÇÃO QUEBRANTADO.
- Quem não se quebranta, nunca tem tempo
- Quem não se quebranta não se entrega a Deus por completo sem reservas
- Quem não se quebranta não tem responsabilidade com o chamado
- Quem não se quebranta não tem discernimento de Deus
- Quem não se quebranta não é cativante​
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Pr Jeferson Guedes
http://admplenoamor.wix.com/plenoamor#!palavra-pastoral/cnmt

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Fé submissa




Na oração revelamos a fé em Deus e em seu providente cuidado, sabendo que ele jamais nos desampara: "Invocar a Deus é o principal exercício da fé e da esperança; e é assim que obtemos da parte de Deus todas as bençãos".[1]

Davi, relembrando o livramento de grandes armadilhas, diz o que fez: orou e entregou sua vida a Deus (Sl 31:1-5). Portanto, "Aquele que confia na providência divina deve fugir para Deus com orações e forte clamor". [2]

Ao orarmos sinceramente, conforme as Escrituras, estamos submetendo nossa vontade a Deus; isto significa que não pretendemos ensinar-lhe nem mudar sua vontade; antes, colocamo-nos diante dele dizendo: "creio que a tua vontade é a melhor para minha vida; cumpre em mim o teu propósito". Orar é entregar confiantemente o futuro a Deus, a fim de que ele concretize sua eterna e santa vontade em nós. A oração revela nosso desejo de que a vontade dele se realize. portanto, oramos não para que Deus realize nossos desejos, mas para que concretize seus juízos: "...faça-se a tua vontade" (Mt 6:10). [3] Longe de nós pretender impor nossos desejos a Deus!

Quando oramos, buscamos o Pai (Mt 6:5-6). Este é o sentido genuíno da oração. Não estamos, através da oração, em busca de recompensas humanas: aplauso, alto conceito a respeito de nossa devoção e piedade. Apesar de esta "recompensa" ser geralmente mais imediata, não a buscamos. Pelo contrário, oramos ao Pai para de fato falar com ele, colocando diante de seu trono de graça nossas necessidades. E neste procedimento, jamais devemos nos esquecer de que ele sabe todas as coisas. Quando assim procedemos, estamos imitando o exemplo de Cristo, como disse Calvino:

Sempre que nossos males nos oprimem e nos torturam, retrocedamos nossa mente para o Filho de Deus que suportou o mesmo fardo. Enquanto ele marchar diante de nós, não temos motivo algum para desespero. Ao mesmo tempo, somos advertidos a não buscar nossa salvação em tempo de angústia, em nenhum outro senão unicamente em Deus. Que melhor guia poderemos encontrar para oração além do exemplo do próprio Cristo? Ele se dirigiu diretamente ao Pai. O apóstolo nos mostra o que devemos fazer, quando diz que ele endereçou suas orações Àquele que era capaz de livrá-lo da morte. Com isso ele quer dizer que Cristo orou corretamente, visto que recorreu ao Deus que é o único Libertador. [4]

Mesmo sem conseguir entender perfeitamente a extensão desse maravilhoso ministério, não podemos deixar de orar, um privilégio que Deus graciosamente nos concedeu de podermos falar com ele e de exercitar nossa fé na sua soberana providência (1Sm 1:9-20; Sl 6:9; Pv 15:29; Mt 26:41; Lc 1:13; 1Ts 5:17; Tg 4:2-3; 1Jo 5:13-15).

Notas:
[1] - As Institutas, João Calvino (1541), III.9.
[2] - João Calvino, O Livro dos Salmos, vol. 2, p. 27.
[3] - As Institutas (1541), III.9. Cf. tb. III.20.43; Instrução na Fé, cap. 24, p. 66.
[4] - Exposição de Hebreus, p. 134.

Fonte: Fundamentos da Teologia Refomada, Rev. Hermisten Maia. Ed. Mundo Cristão, 2007. p. 121-123. Divulgação: Bereianos

Por Rev. Hermisten Maia

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

O livro de Sofonias



O livro de Sofonias é o nono livro da coleção conhecida como os Doze Profetas Menores. É composto por três capítulos, com 53 versos. Ele contém três oráculos entregues por Sofonias durante os primeiros anos do reinado de Josias (639-609 a.C.). O primeiro oráculo castiga o povo de Judá por causa da adoração aos ídolos, adoção de práticas dos povos gentios (1.8).
O ministério de Sofonias é ministério profético de julgamento O profeta anuncia o castigo relatando a punição assemelhando-a a um catástrofe, da mesma forma que fizeram outros profetas antes dele. Deus usaria a poderosa Assíria, que haveria de ser instrumentalizada pelo Senhor para produzir a destruição de Judá. Esta profecia foi cumprida por volta de 586 a.C.. O castigo é nomeado por Sofonias como o Dia do Senhor.
As descrições deste evento são tão vívidas, que o profeta é muitas vezes chamado de "o profeta do Dia do Senhor."
Sofonias denuncia em seu oráculo líderes políticos e religiosos de Judá. O profeta usou a metáfora do machado lançado contra a raiz da corrupção moral e religiosa, em oposição à idolatria que havia se infiltrado dentro do santuário, foi corajosamente contundente contra o culto a Baal. Defendeu O retorno à simplicidade de seus pais, criticou o uso de roupas de luxo estrangeiras nos círculos aristocráticos. Também conclamou o povo ao arrependimento, avisando a todos que Deus promete trazer contra eles um exército de pessoas de todo o mundo, um composto humano de fiéis do Senhor. Este remanescente será caracterizado pelo uso da justiça e da humildade.
O dia do Senhor desempenha um papel importante na profecia de Sofonias. Não é o tempo da destruição de Jerusalém então iminente, mas o tempo do reinado do Messias que ainda está para vir. Este dia vai começar quando o do Messias aparecer para julgar as nações e irá estabelecer em seguida tempo do reino milenar de paz. Ele é chamado de "dia do Senhor" no Novo Testamento (2 Tessalonicenses 2.1).
Tal expressão não deve ser confundida com o "primeiro dia da semana", que também é chamado de "dia do Senhor" (o dia que pertence ao Senhor) em Apocalipse 1.10. O Antigo Testamento descreve o dia do Senhor principalmente sob o aspecto do juízo.
Com base no capítulo 2 e versículo 13 conclui-se que Sofonias tenha profetizado antes da queda de Nínive, em 612 a.C. E diversos biblistas acreditam que Sofonias teria profetizado antes da reforma empreendida pelo rei Josias. 

Eliseu Antonio Gomes, Belverede, http://belverede.blogspot.com.br

Sofonias, descendência africana?



A informação genealógica no início do livro afirma que o pai de Sofonias foi Cusi. O nome Cusi /Cush tem dois significados. Geralmente, a palavra é traduzida como a Etiópia. E "Etiópia" significa "a terra do povo de rostos queimados." O nome dado à terra foi uma referência para a pele escura dos povos que viveram na Etiópia (Jeremias 13.23). A palavra "Cush" também aparece como o nome de duas pessoas no Antigo Testamento. Cuche foi o bisavô de Jeudi, um oficial na corte do rei Jeoiaquim. A segunda pessoa assim chamada era o pai de Sofonias.
Alguns estudiosos da Bíblia defendem a tese que Sofonias era um estrangeiro. Um desses defensores é, David T. Adamo ¹ , que chama Sofonias de  "o profeta Africano." Adamo acredita que desde que Ezequias teve grande interação com a África, muito mais do que qualquer outro rei de Judá, possivelmente teria se casado com uma mulher africana, e esta então deu à luz a Cusi.
Teoria, nada comprovável.
Tradição
Segundo a tradição judaica, Sofonias foi contemporâneo do profeta Jeremias, Jeremias teria pregado nos mercados e Sofonias nas sinagogas. E além de Jeremas, os profetas Naum e Habacuque viveram na mesma geração. Sofonias foi um profeta que ministrou em Judá durante o reinado de Josias (640-609 a.C.). Um estudo cuidadoso da mensagem de Sofonias indica que Sofonias começou seu ministério profético antes das reformas religiosas de Josias.
Afirma-se que Sofonias ministrou depois da destruição de Israel, durante os dias do jovem rei Josias.


Eliseu Antonio Gomes, Belverede, http://belverede.blogspot.com.br