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quinta-feira, 30 de agosto de 2012

A DESGRAÇA DO SACRIFÍCIO





Perto da minha casa, há uma estrada que corta uma montanha.
Quando passo por lá, sobretudo no final da tarde, eu vejo homems e mulheres de branco fazendo suas oferendas aos deuses e espíritos em que acreditam. Fazem isto para receber proteção e prosperidade. As oferendas são reminiscências dos sacrifícios da antiguidade. Em alguns casos, há ainda ainda sacrifícios, com galinhas sendo mortas e oferecidas.
Sou adepto de outra fé.
Nela não há mais sacrifícios, porque Jesus já fez o sacrifício que dispensa os nossos. Não precisamos agradar a Deus para receber algo dele. Seu Filho já o agradou e nos trouxe a paz, pelo que podemos entrar em comunicação direta com Deus sem intermediações.
Apesar da clareza desta verdade ensinada e vivida por Jesus, no interior da fé cristã, o sacrifício é uma tentação. Ainda há que cristãos que acham que precisam fazer sacrifícios para receber a graça de Deus ou a resposta a alguma oração. Ainda há cristãos que entregam dízimos e ofertas na expectativa de serem abençoados.
A ideia do sacrifício é ancestral e continua arraigada.
Precisamos desairragá-la. Precisamos ler o Antigo Testamento à luz do Novo Testamento. Precisamos nos lembrar que Jesus Cristo já veio. Precisamos nos lembrar que somos modernos, não antigos. Precisamos nos lembrar que somos brasileiros e não hebreus que viveram há três milênios. Precisamos aceitar a radicalidade da graça, que não contempla o esforço humano como trampolim para a bênção.
O sacrifício cessou. Jesus veio para isto e não podemos tornar inútil a morte dele em nosso lugar.


Israel Belo de Azevedo

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