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segunda-feira, 3 de setembro de 2012

DEUS AMA OS ATEUS


Do seu jeito apaixonado, Deus perguntou a Ben Amitai:
-- Você me ama?
A resposta foi quase indignada:
-- Tu sabes que te amo.
-- Então, saia do seu país e vá para aquele que todos os irmãos odeiam. Diga àquele povo que eu também o amo.
Atônito, diante do paradoxo, o rapaz respondeu "sim, Senhor" e partiu. A viagem era para ser feita de navio, mas no porto tomou a embarcação para o norte, quando devia ir para o sul.
Depois de uma série de estranhos episódios, o trânsfuga retomou o itinerário solicitado.
Chegou a Nínive, meses depois, e anunciou, por medo e com má vontade, o amor de Deus, que o povo recebeu com muito prazer. Ben Amitai ficou furioso.
Deus não podia amar aquele povo que não o amava.
Deus não podia amar aquele povo que amava outras coisas.
Deus não podia amar aquele povo cujos reis eram cruéis com outros povos.
Não era justo aquele amor. Definitivamente, aquele povo não merecia o amor de Deus.
Cai rapido o pano da cena quando Ben Amitai se lastima:
-- Que vantagem eu levo em crer?
Assim é Deus que estranhamente distribui graça aos que creem e aos que têm outras certezas, aos que confiam e aos que são céticos.
Deus é maior que os nossos conceitos, com seu amor apaixonado, paradoxal, estranho, incrível.

Israel Belo de Azevedo

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